Semestre-filtro de Medicina 2025/26: Resultados, Polêmicas e Perspectivas
- Vivendo a Fundo
- 18 de dez. de 2025
- 8 min de leitura
Resultados do 1º e 2º apelo: desempenho aquém do esperado
Em novembro de 2025, aproximadamente 55 mil estudantes iniciaram o novo semestre-filtro de Medicina na Itália, um modelo de acesso sem vestibular tradicional, mas com provas eliminatórias após o primeiro semestre. Na primeira chamada (20 de novembro), os candidatos enfrentaram três provas – Biologia, Química e Física – cada uma com 31 questões e nota máxima 30 (sendo 18/30 a média mínima). Os resultados, divulgados em 3 de dezembro, foram desastrosos: em média só 12% dos candidatos atingiram a nota mínima em Física, com índices variando de 9% a 17% conforme a universidade. Biologia e Química tiveram desempenho um pouco melhor (cerca de 20-30% de aprovados cada), mas 4 em cada 5 estudantes não obtiveram as três notas mínimas necessárias para continuar no curso. Diante desse alto índice de reprovação (~80%), milhares de alunos ficaram em suspenso, dependendo de uma segunda oportunidade de prova.

A segunda chamada (10 de dezembro) do semestre-filtro foi definida como última chance para recuperar notas insuficientes. Nessa etapa, os inscritos puderam escolher repetir apenas as matérias desejadas – muitos focaram em Física, considerada o maior obstáculo. Quase 50 mil candidatos participaram do segundo apelo: 39.093 em Biologia, 42.658 em Química e 46.868 em Física. Novamente, relatos iniciais apontaram provas difíceis e poucas certezas de aprovação. Os resultados finais do segundo apelo serão publicados até 23 de dezembro de 2025, com a classificação nacional prevista para 12 de janeiro de 2026. As matrículas dos aprovados deverão ocorrer logo em seguida (13 a 16 de janeiro), concluindo um semestre conturbado.

Irregularidades e críticas ao processo seletivo
Desde o primeiro apelo, o semestre-filtro enfrentou fortes críticas e denúncias de irregularidades. Os estudantes relataram provas mal elaboradas e excessivamente difíceis: muitos itens foram descritos como “extremamente complexos” e a prova de Física como literalmente “impossível”. Tal nível de dificuldade, considerado “fora de qualquer lógica” mesmo diante da escassez de médicos no país, levantou questionamentos sobre a eficácia da reforma. Além disso, emergiram suspeitas de fraudes nas duas etapas. Durante o exame de 20 de novembro, fotos das provas circularam nas redes antes do término oficial, indicando vazamento de questões. No segundo apelo, advogados e candidatos apontaram evidências de cola: mensagens de WhatsApp com perguntas em tempo real, buscas anômalas no Google de termos ligados às provas e uso de aparelhos eletrônicos indevidos. Houve relatos de candidatos usando óculos com microcâmera, celulares não fiscalizados e até professores supostamente auxiliando alunos em alguns locais, o que expôs disparidades na fiscalização.

As regras aparentemente variaram entre universidades, tornando o processo desigual. Enquanto muitos cumpriram as instruções rigorosamente, outros aproveitaram brechas: comissões aplicaram procedimentos diferentes de um campus para outro, segundo denúncias, comprometendo a homogeneidade e transparência do concurso. Diante disso, associações estudantis como a UDU (Unione degli Universitari) classificaram o semestre-filtro como uma “seleção injusta e mascarada”, afirmando que o novo sistema apenas adiou o filtro do antigo número fechado sem resolver suas falhas. Também criticam o paradoxo de ainda haver vagas ociosas mesmo com tantos reprovados, sinal de um planejamento inadequado.

Voz dos estudantes: protestos, redes sociais e vídeo viral

A reação estudantil foi imediata e ruidosa. Nas semanas seguintes ao primeiro apelo,
protestos explodiram em diversas cidades italianas, incluindo uma manifestação nacional convocada para 11 de dezembro em Roma, sob o lema “Contra o semestre-filtro”, reunindo milhares de alunos de Medicina. Vestindo jalecos ou segurando cartazes, eles denunciaram a “farsa” de abolir o vestibular apenas para criar um novo filtro semestral. Muitos expressaram nas redes sociais o sentimento de frustração e ansiedade, temendo “perder um ano” de estudos por causa do baixo índice de aprovações. Relatos pessoais viralizaram, com estudantes descrevendo noites sem dormir e pressão psicológica elevada para dar conta de programas extensos em pouco tempo. Em grupos online, multiplicaram-se testemunhos indignados chamando o semestre-filtro de “falido”, “opaco” e “traumático”.
O episódio de maior repercussão envolveu a ministra da Universidade, Anna Maria Bernini, durante um evento público em Roma. Quando alguns estudantes interromperam seu discurso gritando que “não aguentam mais” e que corriam risco de perder o ano letivo, Bernini reagiu de forma polêmica: citou uma frase de Berlusconi e chamou os manifestantes de “pobres comunistas”, acusando-os de atrapalhar o debate e dizendo “isso prova a inutilidade de vocês”. O embate foi gravado e se espalhou pelas redes, gerando forte crítica à postura da ministra. Leonardo, um estudante de medicina presente na plateia, publicou um vídeo nas horas seguintes pedindo a demissão de Bernini, afirmando que em vez de dialogar a ministra “insultou quem protesta” e ignorou o caos do semestre-filtro, que afeta cerca de 60 mil alunos. O vídeo rapidamente ganhou apoio online e impulsionou hashtags contra Bernini, com parlamentares da oposição também condenando a fala da ministra por desrespeitar uma manifestação legítima.

Nas redes, a comunidade acadêmica formou uma corrente de solidariedade. Postagens e comentários destacam as principais reclamações: planejamento confuso, provas estilo “vestibulinho” disfarçado, conteúdo exagerado e falta de transparência nos critérios. Muitos estrangeiros que vieram à Itália com a expectativa de acesso facilitado à Medicina também expressaram decepção. “Estudei meses em italiano achando que teria mais chance sem o vestibular tradicional, agora me sinto enganado”, escreveu um aluno brasileiro em um grupo de Facebook. Esse sentimento generalizado de frustração uniu estudantes em ações coletivas. A UDU e outras entidades organizaram recursos judiciais em massa contra o MUR, inclusive uma denúncia ao Comitê Europeu de Direitos Sociais com mais de 2 mil adesões, alegando que o semestre-filtro violou o direito ao estudo por falta de critérios claros e igualdade de condições. A pressão estudantil chegou ao parlamento, forçando o governo a dar respostas.

Respostas do governo italiano e do MUR
Surpreendido pela dimensão do problema, o Ministério da Universidade e Pesquisa (MUR) inicialmente defendeu o semestre-filtro. No dia do primeiro exame, Bernini chegou a parabenizar os alunos e afirmar publicamente que “o semestre aberto funciona”, chamando críticos de “minoria barulhenta” que protestava sem razão. No entanto, conforme os resultados pífios se confirmaram, o tom mudou. Após o segundo apelo, fontes do MUR admitiram a possibilidade de mudar os critérios de aprovação para salvar o ano acadêmico. A proposta mais forte, agora praticamente certa, é colocar todos os candidatos na classificação final, mesmo os com nota abaixo de 18/30 em alguma prova, desde que cumpram depois um plano de “recuperação de créditos formativos” relativo à matéria em que ficaram deficientes. Em outras palavras, ninguém seria eliminado automaticamente: quem passou nas três provas permanece, e quem teve uma ou duas insuficiências também ganha vaga, mas precisa repor os conteúdos deficientes no semestre seguinte.

Essa solução de “recupero crediti” vem para evitar o apagão de vagas não preenchidas. O ministério pretende ordenar a classificação em faixas: primeiro os poucos estudantes com três notas acima de 18, depois quem tem duas, seguido de quem tem apenas uma ou nenhuma suficiência. Cada aluno receberá uma colocação e uma universidade de destino, onde deverá cursar disciplinas extras ou atividades de reforço para atingir a média necessária nas matérias pendentes. A ministra Bernini explicou que o semestre ainda termina formalmente em fevereiro de 2026, e que até essa data os alunos deverão sanar os “débitos formativos” antes de prosseguir para o segundo semestre da graduação. Além disso, estuda-se ajustar a regra dos 18 pontos, possivelmente flexibilizando a nota mínima em Física, a disciplina que mais reprovou, sugestão inclusive levantada pelos próprios alunos durante os protestos.
Representantes do governo têm reconhecido que a execução do semestre-filtro foi problemática. Parlamentares da base governista pediram informações ao MUR, e Bernini, em audiência no Senado, garantiu que “todos os 24 mil postos serão ocupados” apesar do susto inicial. Para o próximo ano letivo, já se fala em revisar a metodologia: melhorar a qualidade das questões, unificar procedimentos entre as universidades e oferecer simulados nacionais para preparar melhor os calouros. O objetivo declarado é não repetir o estresse de 2025. Até mesmo a possibilidade de um “terceiro apelo” extra foi ventilada por alguns, mas descartada pelo ministério devido a prazos, optou-se pela recuperação de créditos como saída emergencial. Resta, portanto, implementar essas medidas corretivas e recuperar a confiança dos estudantes no processo seletivo.

Conclusão do Vivendo a Fundo: impacto nos estrangeiros e esperança para 2026

Para o Vivendo a Fundo, que orienta estudantes brasileiros a conseguir a vaga na Itália, o cenário do semestre-filtro 2025/26 acendeu um alerta importante. A medida pensada para facilitar o ingresso em Medicina acabou, na prática, criando novos obstáculos e incertezas. Apesar das promessas oficiais de um sistema que “multiplica as oportunidades e garante a todos uma base de partida realmente igual”, a realidade mostrou o oposto: os estudantes, italianos e estrangeiros, enfrentaram meses de ansiedade, despesas e dedicação que podem não se converter em aprovação, ao menos não sem condições extras. Muitos brasileiros e outros internacionais matriculados neste semestre aberto se viram no “limbo”: longe de casa, arcando com custo de vida na Europa, e subitamente sob risco de reprovação em massa. Esse impacto nos alunos estrangeiros é preocupante, pois um ano perdido significa vistos em xeque, investimentos financeiros desperdiçados e a necessidade de replanejar toda a trajetória acadêmica.
Por outro lado, reconhecemos o mérito da iniciativa de ampliar vagas e tentar um formato mais inclusivo do que o antigo vestibular de Medicina. Acreditamos que a forte reação deste ano forçará melhorias concretas já para 2026. É essencial que o MUR e as universidades aprendam com os erros: preparar melhor os conteúdos, equilibrar o nível das provas e garantir isonomia em todas as instituições. A esperança do Vivendo a Fundo é que o semestre-filtro evolua para cumprir seu propósito original, democratizar o acesso sem comprometer a qualidade, e não mais seja um fator de angústia para quem sonha em ser médico. Continuaremos acompanhando de perto as mudanças anunciadas, apoiando especialmente os estudantes estrangeiros nesse processo. Que em 2026 possamos noticiar um semestre de ingresso em Medicina mais justo, transparente e acolhedor, onde o foco volte a ser a formação dos futuros médicos, e não um filtro que dificulte seus sonhos. Em meio ao turbulento experimento de 2025, fica a lição de que toda reforma requer ajuste, e a voz dos estudantes, felizmente, mostrou o caminho para essas correções.

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